quarta-feira, 29 de julho de 2026

Ausência do hábito da leitura (em mim).

 Como já comentado aqui anteriormente, eu nunca fui de me expressar por meio da escrita, na verdade, nunca fui de me expressar, de fato, o que sempre me prejudicou, pois não conseguia organizar e, consequentemente, administrar meus pensamentos e emoções, mas não será esse o assunto abordado nesse post. O objetivo aqui, é fazer uma pequena análise interna e discorrer um pouco sobre o porquê dessa problemática, o motivo pelo qual não tive uma aproximação com a leitura e a escrita.

 Em primeiro lugar, acredito que grande parte dessa culpa se deve às instituições de ensino, que nos ensinam a ler, mas não nos ensinam a sermos leitores. Assim como as muitas outras disciplinas que cursamos na escola, só aprendemos a ler o suficiente para nos sairmos bem nas provas e passar de ano ao invés de ensinar o tanto que o hábito da leitura amplia as nossas possibilidades e perspectivas de pensamento, além de muitas outras vantagens, parafraseando George R. R. Martin: "Um leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma."

 Em segundo lugar, acredito que o maior vilão dessa história, sou eu mesmo, ou ainda mais: a ausência da cultura da leitura em minha família. Desde criança, nunca me foi cobrado a aquisição do hábito da leitura, não porque meus pais não queriam que eu o adquirisse, mas eles mesmos não possuíam esse costume. Não digo que eles eram péssimos pais, muito pelo contrário, sempre me incentivaram em muitos outros aspectos, como: criatividade, respeito ao próximo, educação, estudos, empatia,... porém, talvez motivado por ambos ficarem o dia inteiro fora de casa (trabalhando, para o sustento principalmente de nós, filhos), o hábito da leitura foi deixado de lado.

 Dito isso, principalmente hoje, aos 34 anos, apesar de ter adquirido o hábito tardiamente, há 8 anos, sinto possíveis consequências desse déficit, e às vezes me sinto até mesmo "atrasado" em relação a outros colegas de faculdade nesse quesito. Por esse e vários outros motivos que criei esse blog, para me ajudar principalmente na escrita e na organização de ideias (como já havia dito).



sexta-feira, 24 de julho de 2026

Ato subjetivo da leitura

 Ao iniciar o meu curso de filosofia na faculdade, tive a grande oportunidade de, junto à grade curricular padrão, cursar a disciplina de "Práticas de Leitura e Escrita Acadêmicas", o qual se embasa no livro do professor Marcus Sacrini, Leitura e Escrita de Textos Argumentativos.

 Em seu primeiro capítulo, Sacrini se aprofunda em um assunto que, para certos leitores, passa despercebido, que é a complexidade do ato da leitura. Segundo o autor, ler não é o simples ato objetivo de "assimilação visual e o processamento cognitivo automatizado de signos escritos", ou seja, ler não é somente reconhecer as letras, palavras, frases, orações... para depois produzir algum significado único e fixo.

Como assim? Ora, nenhuma pessoa chega a um texto, acredito eu, como uma tabula rasa (folha em branco, citando John Locke), cada pessoa possui a sua própria experiência de vida, cultura, crenças, estado emocional, expectativas,... que o influenciam no modo como cada texto é compreendido, ou seja, isso demonstra como uma simples frase como "A árvore é bonita" pode ter milhares de interpretações diferentes, como: Qual árvore?  Bonita em relação a quê? O que é considerado "árvore"? É uma metáfora? O que é uma "árvore bonita"? O que é "beleza"?...

 De acordo com Sacrini, ao ignorar esse e muitos outros aspectos da leitura, o aluno percorre o ensino fundamental, médio e superior — e, por vezes, a vida inteira — sem desenvolver a capacidade de compreender textos densos, profundos e repletos de significados essenciais à formação crítica, bem como de perceber a experiência que transcende a simples decodificação das palavras.



quarta-feira, 22 de julho de 2026

Introdução aos meus estudos filosóficos relacionados diretamente ao Japão.

 Quando entramos em contato com a filosofia pela primeira vez na escola, nos é ensinado uma filosofia bem restrita, que se desenvolve exclusivamente no ocidente, mas enquanto isso, o que se desenvolve paralelamente do outro lado do mundo, no Japão? Não há filosofia lá? Logo no Japão, onde há inúmeras referências nas áreas de arte, literatura, economia, religião, tecnologia,...

 Nesse post, compartilharei um pouco do que aprendi em relação a esse tema através do livro de Nishida Kitaro, An Inquiry into the Good (Uma investigação sobre o bem), que optei em começar a ler pois acredito encontrar uma "ponte" entre a filosofia tradicional (que é ensinado na escola e na faculdade de filosofia, que eu curso atualmente), e a filosofia japonesa.

 Até o início do século XIX, "filosofia" e "religião" eram indissociáveis no Japão, pois era (e ainda é, de certa forma) um país extremamente fechado às culturas externas, e somente durante a Era Meiji (1868-1912), um japonês, Nishi Amane, criou o termo com o mesmo significado de "filosofia" que costumamos a utilizar no ocidente.

 Apesar de haver essa separação de conceitos, percebo que a filosofia japonesa ainda é profundamente ligada à religião e espiritualidade, e acho isso muito interessante, porque há a valorização "sentir", para além da "linguagem verbal". Enquanto a filosofia ocidental é desenvolvida através da formulação de conceitos e argumentos, a filosofia japonesa não exige necessariamente argumentos demonstrativos e nem expressão verbal rigorosa precisa, e sim uma linguagem simbólica, indireta e sugestiva (nesse quesito, muito parecido com a Bíblia, que ensina por meio de parábolas, metáforas e poesias).

 Dito isso, Nishida Kitaro tentará, nesse livro, trazer a "rigidez conceitual ocidental" para a experiência inexprimível oriental.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Post teste ver.1.0

 O objetivo principal desse post é ver como o aparecerá no layout desse blog, esse que foi criado pela recomendação de um querido amigo.

 Como eu nunca fui uma pessoa que se expressa por meio da escrita, nunca tive um blog, o que me leva ao objetivo principal dele, que é o esclarecimento das minhas ideias. Esclarecimento esse que não é o Aufklärung rebuscado e histórico, de Immanuel Kant, e sim, utilizo essa palavra apenas para definir um ato de organizar, ordenar e estruturar o fluxo de pensamentos que flui em minha consciência. Pois, segundo o filósofo William James, nossa consciência não funciona como uma sequência de ideias isoladas, mas como um fluxo contínuo, e utiliza a metáfora do rio: está sempre mudando, mas continua sendo um único fluxo. Porém, no momento, acredito que o rio que possuo dentro de minha cabeça não seja calmo, com direção e sentido bem definidos, mas sim um rio agitado, com diversas ramificações e obstáculos que não o permite fluir sem chocar-se nas margens ao longo de seu caminho, o que causa drásticas desacelerações na água, além disso, muitas vezes, ela nem alcança seu destino final e, quando enfim chega, muita energia e tempo fora desperdiçado.

Fim.

Ausência do hábito da leitura (em mim).

 Como já comentado aqui anteriormente, eu nunca fui de me expressar por meio da escrita, na verdade, nunca fui de me expressar, de fato, o q...