Quando entramos em contato com a filosofia pela primeira vez na escola, nos é ensinado uma filosofia bem restrita, que se desenvolve exclusivamente no ocidente, mas enquanto isso, o que se desenvolve paralelamente do outro lado do mundo, no Japão? Não há filosofia lá? Logo no Japão, onde há inúmeras referências nas áreas de arte, literatura, economia, religião, tecnologia,...
Nesse post, compartilharei um pouco do que aprendi em relação a esse tema através do livro de Nishida Kitaro, An Inquiry into the Good (Uma investigação sobre o bem), que optei em começar a ler pois acredito encontrar uma "ponte" entre a filosofia tradicional (que é ensinado na escola e na faculdade de filosofia, que eu curso atualmente), e a filosofia japonesa.
Até o início do século XIX, "filosofia" e "religião" eram indissociáveis no Japão, pois era (e ainda é, de certa forma) um país extremamente fechado às culturas externas, e somente durante a Era Meiji (1868-1912), um japonês, Nishi Amane, criou o termo com o mesmo significado de "filosofia" que costumamos a utilizar no ocidente.
Apesar de haver essa separação de conceitos, percebo que a filosofia japonesa ainda é profundamente ligada à religião e espiritualidade, e acho isso muito interessante, porque há a valorização "sentir", para além da "linguagem verbal". Enquanto a filosofia ocidental é desenvolvida através da formulação de conceitos e argumentos, a filosofia japonesa não exige necessariamente argumentos demonstrativos e nem expressão verbal rigorosa precisa, e sim uma linguagem simbólica, indireta e sugestiva (nesse quesito, muito parecido com a Bíblia, que ensina por meio de parábolas, metáforas e poesias).
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