Em seu primeiro capítulo, Sacrini se aprofunda em um assunto que, para certos leitores, passa despercebido, que é a complexidade do ato da leitura. Segundo o autor, ler não é o simples ato objetivo de "assimilação visual e o processamento cognitivo automatizado de signos escritos", ou seja, ler não é somente reconhecer as letras, palavras, frases, orações... para depois produzir algum significado único e fixo.
Como assim? Ora, nenhuma pessoa chega a um texto, acredito eu, como uma tabula rasa (folha em branco, citando John Locke), cada pessoa possui a sua própria experiência de vida, cultura, crenças, estado emocional, expectativas,... que o influenciam no modo como cada texto é compreendido, ou seja, isso demonstra como uma simples frase como "A árvore é bonita" pode ter milhares de interpretações diferentes, como: Qual árvore? Bonita em relação a quê? O que é considerado "árvore"? É uma metáfora? O que é uma "árvore bonita"? O que é "beleza"?...
De acordo com Sacrini, ao ignorar esse e muitos outros aspectos da leitura, o aluno percorre o ensino fundamental, médio e superior — e, por vezes, a vida inteira — sem desenvolver a capacidade de compreender textos densos, profundos e repletos de significados essenciais à formação crítica, bem como de perceber a experiência que transcende a simples decodificação das palavras.
Este livro vai em direção ao que conversamos hoje. A leitura tem inúmeros, interessantes e prazerosos níveis. É uma jornada que pode mudar vidas, pois muda a percepção sobre o mundo.
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